Eu soube que havia me tornado oficialmente um “influenciador de longevidade” neste mês, quando uma empresa chamada Generation Lab entrou em contato para me oferecer a oportunidade de escrever sobre, e até mesmo receber, um novo tratamento de rejuvenescimento, uma combinação injetável de dois medicamentos já existentes que eles chamam de 1 Generation.
Não era apenas mais um tratamento antienvelhecimento. Uma ficha técnica da empresa afirma que ele “bloqueia a propagação sistêmica do envelhecimento na corrente sanguínea, reativa o mecanismo de reparo do próprio corpo e restaura a saúde e a juventude de múltiplos tecidos”.
A oferta exclusiva para participar de uma “coorte privada” (coorte é o grupo de pessoas com uma condição semelhante e que é acompanhado pelo estudo) que receberia acesso ao tratamento estava sendo “estendida a um número limitado de pessoas cujo julgamento sobre a ciência nós confiamos, sob estreita supervisão médica”.
“Há uma longa lista de espera, incluindo muitas celebridades, pessoas conhecidas, pessoas de quem você já ouviu falar”, disse Alina Su, a CEO da Generation Lab, durante uma teleconferência. “Então estamos muito animados para criar esse medicamento e (estamos) informando que esse primeiro tratamento de longevidade no corpo humano está aqui e está realmente funcionando.”
Tudo isso era claramente uma campanha de marketing e, como muitas outras alegações no mundo da medicina da longevidade, provavelmente bom demais para ser verdade. Além disso, a Generation Lab não quis me dizer quais eram os dois medicamentos, tornando a proposta difícil de levar a sério.
Ainda assim, esse discurso despertou meu interesse. O motivo? Sou um seguidor de longa data de Irina Conboy, fundadora científica, de temperamento forte, da Generation Lab. Uma especialista que não aceita bobagens e que pesquisa a prática estranha, mas cientificamente promissora, de conectar os sistemas circulatórios de animais de laboratório jovens e velhos.
O procedimento, chamado parabiose ou troca sanguínea heterocrônica, é uma das poucas coisas comprovadas que fazem um animal velho se comportar como um animal mais jovem.
Mas não é possível passar a vida conectado pelas veias a uma pessoa mais jovem. Por isso, a busca tem sido por encontrar maneiras práticas de imitar esses benefícios.
E é isso que Conboy afirma ter conseguido agora, ao descobrir uma combinação de dois medicamentos existentes que produzem efeitos de juventude, sem a necessidade de qualquer troca de fluidos corporais.
Nos últimos dois meses, ela tem tomado a combinação de medicamentos e diz estar se sentindo consideravelmente melhor e com mais energia. O mesmo teria acontecido com um pequeno grupo de outros integrantes, incluindo Su, a CEO de 26 anos da empresa, além de Michael Conboy, marido e colaborador científico de Irina.
A equipe de relações públicas da empresa me enviou uma planilha com os supostos benefícios experimentados pelos participantes, incluindo melhora da visão em uma mulher de 64 anos, sessões mais longas de jardinagem para um homem de 59 anos, partidas de badminton mais longas, melhora na firmeza para pegar objetos com as mãos, ereções melhores do que com Viagra, além de “aumento dos movimentos intestinais”.
Obviamente, qualquer medicamento de reversão da idade que funcione seria o produto mais vendido de todos os tempos. O problema é que nenhum deles jamais demonstrou fazer isso. E a abordagem da Generation em relação às evidências traz vários sinais de alerta. Por exemplo, Su afirma que, agora, a empresa pretende lançar um estudo maior, envolvendo cem pessoas ou mais. No entanto, outras pessoas estão recebendo o medicamento antes que haja evidências sólidas de benefício.
Além disso, o estudo será conduzido por médicos de longevidade que praticam medicina alternativa. Entre eles está Matt Cook, fundador de uma rede de clínicas chamada BioReset Medical. As clínicas de Cook oferecem tratamentos que eu classificaria como não comprovados, como injeções de células-tronco. Um artigo de 2021 informou que ele havia recomendado tratamentos contra a Covid-19 classificados como “fraudulentos” pela Food and Drug Administration (FDA), agência responsável por regular produtos relacionados à saúde nos Estados Unidos. Entre eles estava a inalação de líquido amniótico por meio de um nebulizador.
Em uma conversa por telefone, Cook disse que inicialmente concordou em prescrever a combinação para Conboy e alguns outros integrantes do grupo. Todos os envolvidos, segundo ele, fazem parte da mesma cena “agitada” do Vale do Silício em torno da extensão da vida. “Minha confiança de que isso funcionaria era zero. Eu realmente não acreditava que fosse funcionar”, diz Cook. Isso porque “são dois medicamentos seguros e genéricos que nem sequer são medicamentos de longevidade”.
Mas Cook, que também tomou a combinação, diz que houve um efeito. “Preciso dizer que foi a coisa mais surpreendente que já aconteceu comigo”, afirma. Depois das injeções semanais, ele experimentou uma sensação de clareza mental que durou um dia e, depois, vários dias. Os outros participantes, segundo ele, relataram uma sensação de bem-estar, além do desaparecimento de antigas dores e desconfortos.
“Havia um conjunto bastante significativo e amplo de sintomas que realmente não corresponde ao que nenhum dos dois medicamentos faz”, diz ele. “Então é interessante. Mas tenho muito mais perguntas do que respostas… Ainda sinto que não entendo exatamente qual é o mecanismo.”
Antes de ingressar na Generation Lab em tempo integral, no ano de 2025, Irina Conboy teve uma longa carreira na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde ganhou notoriedade por uma série de experimentos amplamente citados, destinados a descobrir se características da idade, ou da juventude, poderiam ser transferidas entre animais por meio da corrente sanguínea. Em 2005, por exemplo, ela conectou cirurgicamente camundongos de dois meses de idade a animais muito idosos, descobrindo que a capacidade de recuperação de lesões dos animais velhos melhorava drasticamente.
Isso sugeria que o sangue jovem deveria conter sinais moleculares específicos e poderosos, capazes de restaurar a capacidade regenerativa de um animal velho. À medida que pesquisadores identificavam possíveis sinais candidatos, várias startups, incluindo a Elevian, uma empresa derivada de Harvard, e a Alkahest, ligada a cientistas da Universidade Stanford, conseguiram levantar milhões de dólares para desenvolver tratamentos contra acidente vascular cerebral ou Alzheimer. No entanto, esses esforços ainda não alcançaram sucesso comercial.
Embora esteja claro que sangue jovem é benéfico para camundongos velhos, os cientistas também sabem que o oposto é verdadeiro: até mesmo uma única troca de plasma de um camundongo velho tem efeitos negativos poderosos sobre um animal jovem. Isso significa que, na batalha entre idade e juventude, diz Conboy, “o sangue velho domina”.
Conboy então tentou uma nova abordagem. Em vez de fornecer sangue jovem a animais velhos, em 2020, ela removeu o plasma, a parte do sangue sem células, de animais idosos e o substituiu por uma mistura neutra de albumina e água salgada. Era como pressionar a tecla Delete sobre o conjunto de hormônios, anticorpos e outras moléculas liberadas pelo corpo envelhecido.
O processo de reinicialização teve efeitos rejuvenescedores ainda mais fortes do que compartilhar o sangue de um animal jovem e, em dois anos, Conboy o havia testado em voluntários humanos que concordaram em ter quase metade do volume do próprio sangue removido e descartado.
Clínicas de longevidade rapidamente passaram a seguir a pesquisa de Conboy. Algumas começaram a oferecer a “troca terapêutica de plasma” como uma intervenção de bem-estar, por preços de até US$ 10 mil por sessão. Jeffrey Gladden afirma que, depois de ver as publicações de Conboy, um médico que oferece o procedimento correu para a Califórnia para conhecê-la e realizar o procedimento em si mesmo.
No fim de 2025, Conboy havia se aposentado de Berkeley e ingressado em tempo integral na sua startup. A Generation Lab vinha vendendo um teste de diagnóstico de envelhecimento, mas Conboy ainda queria encontrar um medicamento capaz de imitar os benefícios da troca de plasma. Para isso, começou a usar um sistema de testes que havia desenvolvido em conjunto, permitindo que pesquisadores banhassem células humanas mantidas em um dispositivo microfluídico com soro sanguíneo de pessoas idosas.
O novo dispositivo, descrito em um artigo publicado neste ano, permitiu que ela testasse rapidamente suas hipóteses sobre quais medicamentos poderiam funcionar. “Esse é um sistema experimental ou de triagem incrível, que nos permite fazer uma pergunta: se um tecido envelhece na presença de sangue velho, qual molécula ou combinação de moléculas evitará isso e permitirá que o tecido permaneça jovem, mesmo quando o ambiente circulatório é velho?”
Ela afirma que o 1 Generation funciona estimulando as células a se regenerarem e, simultaneamente, neutralizando os fatores associados à velhice presentes na corrente sanguínea de uma pessoa. “Ele permite que células humanas permaneçam jovens, mesmo quando estão na presença do soro sanguíneo de pessoas idosas”, diz Conboy.
Sem saber quais são os medicamentos, não posso dar minha própria opinião sobre seu potencial, mas alguns médicos que trabalham com a Generation Lab demonstraram surpresa com a possibilidade de a combinação funcionar. “Vou dizer agora, de forma sincera: é desconhecido como isso vai se desenrolar, mas certamente há muito entusiasmo com base na qualidade do trabalho dela no passado”, afirma Gladden, o médico de longevidade que diz que sua clínica no Texas também participará do estudo. “Sou cético e otimista ao mesmo tempo.”
Questionada sobre por que os nomes dos medicamentos continuam em sigilo, Su disse que é para evitar imitadores. Isso é importante, porque a Generation não é proprietária das moléculas. Em vez disso, a empresa pretende realizar rapidamente um ensaio clínico, aproveitando um processo da FDA que concede às empresas um curto período de exclusividade, talvez três anos, caso consigam demonstrar que uma combinação de medicamentos existentes tem um novo uso.
“As pessoas estão implorando por isso”, disse Cook, da BioReset Medical. Ele afirma que seu consultório começou a receber ligações “de médicos de alto nível, investidores de capital de risco e pessoas dessa comunidade que são uma espécie de biohackers”.
“São pessoas do tipo influenciadores de alto nível”, acrescenta.
Quanto a mim, não, não vou tomar os medicamentos tão cedo. Não até saber quais são.



