Tecnologias capazes de reproduzir funções de órgãos humanos em dispositivos microscópicos já começam a transformar a pesquisa biomédica em diferentes áreas da saúde. Conhecidos como órgãos-em-chip, esses sistemas utilizam células humanas cultivadas em plataformas microfluídicas para simular processos biológicos complexos e testar medicamentos de forma mais precisa.
Neste episódio do podcast Biotech and Health, da MIT Technology Review Brasil, Carolina Abelin e Camila Pepe conversam com Lucas Blanes, pesquisador da Fiocruz e especialista em ciência, tecnologia, produção e inovação em saúde.
Durante a entrevista, o especialista explica como os órgãos-em-chip representam uma nova etapa na evolução dos modelos experimentais utilizados na pesquisa científica. A tecnologia permite reproduzir características de tecidos e órgãos humanos em ambientes controlados, oferecendo respostas mais próximas da biologia humana do que muitos modelos animais tradicionalmente utilizados.
Entre as aplicações já em desenvolvimento estão estudos sobre câncer de mama, melanoma, doenças pulmonares e medicina espacial. A tecnologia também foi utilizada em projetos conduzidos pela NASA para investigar os efeitos da radiação cósmica e da microgravidade sobre células humanas durante missões espaciais.
Lucas Blanes destaca que o potencial da plataforma vai além da pesquisa básica. Uma das perspectivas mais promissoras é a utilização de células do próprio paciente para testar previamente diferentes terapias, contribuindo para estratégias cada vez mais alinhadas aos princípios da medicina personalizada.
A entrevista também aborda os desafios para ampliar o uso da tecnologia, incluindo a necessidade de investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de equipamentos nacionais e fortalecimento do ecossistema de inovação em saúde. Apesar das barreiras, o especialista avalia que o avanço dos órgãos-em-chip já representa uma mudança importante na forma como novos medicamentos e tratamentos poderão ser desenvolvidos nos próximos anos.
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