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Uma nova tecnologia em saúde pode fazer muito mais do que melhorar indicadores clínicos. Em muitos casos, ela pode reduzir o tempo gasto em deslocamentos para tratamento, diminuir a sobrecarga de cuidadores, aumentar a adesão terapêutica e permitir que pacientes e familiares mantenham suas atividades profissionais e sociais.
Apesar disso, esses benefícios nem sempre são plenamente considerados nos processos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), utilizados para apoiar decisões de incorporação de medicamentos e outras inovações nos sistemas de saúde.
Neste episódio especial do podcast de Biotech and Health, da MIT Technology Review Brasil em parceria com a Roche, Carolina Abelin conversa com Verônica Stasiak, pesquisadora, doutoranda e consultora em Avaliação de Tecnologias em Saúde.
Durante a entrevista, Verônica destaca que pacientes com doenças raras frequentemente enfrentam uma longa jornada até obter um diagnóstico correto. Esse percurso pode envolver consultas sucessivas, múltiplos exames, afastamento do trabalho e impactos financeiros e emocionais que afetam não apenas o paciente, mas toda a família.
Segundo a especialista, os processos de ATS já consideram aspectos clínicos, econômicos e organizacionais das tecnologias, mas ainda existe espaço para ampliar a incorporação de informações relacionadas à experiência dos pacientes, aos custos indiretos e aos impactos sociais gerados pelas doenças.
A pesquisadora também destaca a importância dos chamados dados de mundo real, informações coletadas fora dos ambientes controlados dos estudos clínicos. Esses dados permitem compreender melhor a rotina dos pacientes, incluindo tempo de deslocamento para centros de tratamento, necessidade de cuidadores, afastamentos do trabalho e desafios de adesão às terapias.
Outro ponto abordado na conversa é a crescente participação dos pacientes nos processos de tomada de decisão. Verônica explica como consultas públicas, relatos de experiência e contribuições da sociedade civil vêm ganhando relevância dentro das discussões sobre incorporação de tecnologias no SUS.
A entrevista discute ainda os avanços recentes na participação social, o uso de evidências de vida real na avaliação de tecnologias e os desafios para construir modelos que consigam refletir de forma mais abrangente o impacto das doenças e dos tratamentos sobre a vida das pessoas.
Ouça o episódio na íntegra.
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