Como é a tecnologia de dessalinização da água
Natureza e espaço

Como é a tecnologia de dessalinização da água

Eis o que você deve saber sobre essa fonte de água cada vez mais importante

Quando comecei a me aprofundar na tecnologia de dessalinização para uma nova reportagem, não consegui deixar de ficar obcecada pelos números.

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Eu sabia, em algum nível, que a dessalinização, a técnica que consiste em retirar o sal da água do mar para produzir água doce, era uma tecnologia cada vez mais importante, especialmente em regiões com estresse hídrico, como o Oriente Médio. Mas o quanto alguns países dependem da dessalinização, e o tamanho desse negócio, ainda me surpreenderam.

Para saber mais sobre como essa infraestrutura hídrica crucial está cada vez mais vulnerável durante a guerra no Irã, confira essa reportagem mais recente. Aqui, porém, vamos observar o estado da tecnologia de dessalinização, em números.

A dessalinização produz 77% de toda a água doce e 99% da água potável no Catar.

Globalmente, dependemos dela para apenas 1% das retiradas de água doce. Mas, para alguns países do Oriente Médio, e particularmente para os países do Conselho de Cooperação do Golfo, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã, ela é crucial.

No Brasil, a dessalinização tem um papel bem diferente do observado no Golfo. Aqui, a tecnologia aparece, sobretudo, como política de segurança hídrica para comunidades isoladas do Semiárido, onde a água subterrânea costuma ser salobra. Segundo o Programa Água Doce, do governo federal, o país já havia implantado 1.068 sistemas em 298 municípios até 2024, com capacidade de produzir 4,2 milhões de litros de água dessalinizada por dia. É uma escala muito menor que a das megainstalações do Oriente Médio, mas relevante como resposta localizada à seca e à falta de água potável.

O Catar, lar de mais de 3 milhões de pessoas, é um dos exemplos mais impressionantes, com quase todo o seu abastecimento de água potável vindo da dessalinização. Muitas grandes cidades da região não poderiam existir sem a tecnologia. Não há rios permanentes na Península Arábica, e os suprimentos de água doce são incrivelmente limitados, por isso os países dependem de instalações que podem captar água do mar e retirar o sal e outras impurezas.

O Oriente Médio abriga apenas 6% da população mundial e mais de 27% de suas instalações de dessalinização.

A região, historicamente, tem escassez de água, e essa tendência continua à medida que as mudanças climáticas elevam as temperaturas e alteram os padrões de chuva.

Das 17.910 instalações de dessalinização que estão em operação globalmente, 4.897 estão localizadas no Oriente Médio, segundo um estudo de 2026 publicado na npj Clean Water, publicação da revista Nature. A tecnologia abastece não apenas a água usada por residências e empresas, mas também indústrias, incluindo agricultura, manufatura e, cada vez mais, centros de dados.

Uma enorme usina de dessalinização na Arábia Saudita produz mais de 1 milhão de metros cúbicos de água doce por dia.

A usina de água e energia de Ras Al-Khair, na Província Oriental da Arábia Saudita, é apenas uma entre um número crescente de infraestruturas gigantescas que produzem mais de 1 milhão de metros cúbicos diariamente. Essa quantidade pode atender às necessidades de milhões de pessoas na cidade de Riad. Produzi-la exige muita energia. A usina tem uma capacidade de produção de 2,4 gigawatts.

Embora essa indústria seja apenas uma entre milhares em toda a região, ela é um exemplo de uma tendência crescente: o tamanho médio de uma usina de dessalinização é cerca de dez vezes maior do que era há 15 anos, segundo dados da Agência Internacional de Energia. As comunidades estão recorrendo cada vez mais a usinas maiores, que podem produzir água de forma mais eficiente do que as menores.

Entre 2024 e 2028, a capacidade de dessalinização do Oriente Médio pode crescer mais de 40%.

A dessalinização só vai se tornar mais crucial para a vida no Oriente Médio. Espera-se que a região gaste mais de 25 bilhões de dólares para instalações de dessalinização entre 2024 e 2028, segundo o estudo de 2026 publicado na npj Clean Water. Espera-se que mais usinas enormes entrem em operação na Arábia Saudita, no Iraque e no Egito durante esse período.

Todo esse crescimento pode consumir muita eletricidade. Entre o crescimento da tecnologia em geral e a mudança para usinas que usam eletricidade em vez de combustíveis fósseis, a dessalinização pode acrescentar 190 terawatts-hora à demanda global de eletricidade até 2035, segundo dados da AIE. Isso equivale a cerca de 60 milhões de residências.

*Este texto foi editado para melhor compreensão e adequação ao contexto brasileiro.

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