Teste genômico ilustra os desafios de avaliar valor, evidência e custo-efetividade na incorporação de tecnologias em oncologia de precisão.
Nem toda paciente com câncer de mama precisa passar pela quimioterapia. O desafio está em identificar, com precisão, quem realmente se beneficiará desse tratamento e quem pode ser poupada de seus efeitos adversos sem comprometer os resultados clínicos.
É justamente esse o objetivo do Oncotype DX, um teste genômico que analisa a expressão de 21 genes do tumor para auxiliar médicos na tomada de decisão terapêutica em pacientes com um tipo específico de câncer de mama. A ferramenta faz parte do avanço da chamada oncologia de precisão, área que busca personalizar tratamentos de acordo com as características biológicas de cada paciente.
Neste episódio do podcast Oncologia de Precisão, da MIT Technology Review Brasil em parceria com a Exact Sciences, Carolina Abelin conversa com o oncologista Leandro Jonatan de Carvalho Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Durante a entrevista, o especialista explica como funcionam os processos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), responsáveis por analisar a incorporação de novas tecnologias nos sistemas público e privado de saúde. Além da segurança e da eficácia, essas avaliações consideram fatores como custo-efetividade e impacto orçamentário.
Leandro destaca que o Oncotype DX é uma tecnologia já consolidada internacionalmente, respaldada por estudos clínicos robustos e análises econômicas que demonstram seu potencial para melhorar a qualidade de vida das pacientes e otimizar a utilização de recursos em saúde.
Segundo o médico, quando o teste identifica pacientes que não precisam de quimioterapia, é possível evitar eventos adversos como fadiga, náuseas, queda de cabelo, neuropatia e afastamento das atividades profissionais e pessoais. Ao mesmo tempo, pacientes que realmente necessitam do tratamento recebem uma indicação mais segura e personalizada.
A entrevista também aborda o papel crescente dos dados de mundo real na avaliação de novas tecnologias, os desafios enfrentados pelas agências de ATS diante de inovações cada vez mais disruptivas e a necessidade de modelos mais dinâmicos para acompanhar a velocidade das transformações na medicina.
Ouça o episódio na íntegra.



