Nos últimos dois anos, venho acompanhando o progresso de um grupo de indivíduos que acredita que a morte é o “problema central” da humanidade. Em termos simples, eles dizem que a morte é errada, para todos. Eles até disseram que é moralmente errada.
Eles estabeleceram o que consideram como uma nova filosofia, e a chamaram de “vitalismo”.
No entanto, o vitalismo é mais do que uma filosofia. É um movimento para entusiastas radicais da longevidade que querem fazer progressos reais na busca de tratamentos que desacelerem, ou revertam, o envelhecimento. Não apenas por meio de avanços científicos, mas persuadindo pessoas influentes a apoiar seu movimento e mudando leis e políticas para abrir o acesso a medicamentos experimentais.
E eles estão começando a fazer progresso.
O vitalismo foi fundado por Adam Gries e Nathan Cheng, dois homens que se uniram por seu desejo em comum de encontrar maneiras de estender a vida humana. Vi Cheng falar pela primeira vez em 2023, em Zuzalu, uma cidade em Montenegro, para pessoas interessadas em extensão da vida e algumas outras tecnologias.
Zuzalu foi onde Gries e Cheng lançaram oficialmente o vitalismo. Mas venho acompanhando de perto o cenário da longevidade desde 2022. Essa jornada me levou a Suíça, Honduras e um complexo em Berkeley, Califórnia, nos Estados Unidos, onde entusiastas da longevidade com ideias semelhantes compartilhavam seus sonhos de extensão da vida.
Também me levou a Washington, nos EUA, onde, no ano passado, apoiadores da extensão da vida apresentaram a políticos, incluindo a estrela da televisão estadunidense, Dr. Mehmet Oz, que atualmente lidera os Centers for Medicare & Medicaid Services, seu argumento a favor de mudanças em leis e políticas.
A jornada tem sido fascinante, às vezes estranha e até surreal. Ouvi histórias de biohacking (prática de utilizar ciência, tecnologia e autoexperimentação para otimizar o funcionamento do corpo e da mente) que terminaram com pernas fumegantes.
Contaram-me sobre um relacionamento com múltiplos parceiros, que pode ser possibilitado pela criopreservação, e subsequente reanimação, de um homem e das múltiplas esposas que ele teve ao longo da vida. Vi pessoas dizendo na minha cara que se consideram eugenistas, e que acreditam que os pais deveriam selecionar embriões de fertilização in vitro por sua propensão a uma vida longa.
Já vi pessoas tirarem sangue durante o jantar em um restaurante de hotel sofisticado para testar sua idade biológica. Ouvi planos mirabolantes para preservar a consciência humana e ressuscitá-la em máquinas. Outros me contaram seus planos de aplicar múltiplas doses de uma terapia gênica experimental no pênis de homens para tratar a disfunção erétil e, por fim, alcançar a “longevidade radical”.
Já gritaram comigo e me ameaçaram com ação judicial. Recebi abraços. Um entrevistado me disse que eu precisava de Botox. Foi uma jornada.
Minhas reportagens também me fizeram perceber que o interesse atual em longevidade vai além de influenciadores de redes sociais e centros de bem-estar. Clínicas de longevidade estão crescendo em número, e houve uma enxurrada de documentários sobre viver mais, ou até para sempre.
Ao mesmo tempo, pessoas poderosas que influenciam leis estaduais, enormes orçamentos federais de financiamento e até a política nacional de saúde estão priorizando a busca por tratamentos que desacelerem ou revertam o envelhecimento. A comunidade da longevidade ficou entusiasmada quando o apoiador de longa data Jim O’Neill foi nomeado secretário adjunto de saúde e serviços humanos, no ano passado. Outros membros do governo Trump, incluindo Oz, também falaram sobre longevidade. “Parece que agora existe o governo mais pró-longevidade da história americana”, Gries me disse.
Recentemente, conversei com Alicia Jackson, a nova diretora da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Saúde (ARPA-H). A agência, estabelecida em 2022 sob a presidência de Joe Biden, financia pesquisas biomédicas “inovadoras”. E parece ter um novo foco em longevidade. Jackson fundou e liderou anteriormente a Evernow, uma empresa voltada para “saúde e longevidade para todas as mulheres”.
“Há muitas tecnologias interessantes, mas todas acabam voltando à mesma questão: podemos prolongar os anos de vida?”, ela me disse em uma chamada de vídeo há algumas semanas. Ela acrescentou que sua agência tinha “um apoio incrível” vindo “do alto escalão do HHS (Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA)”. Perguntei se ela estava se referindo a Jim O’Neill. “Sim”, respondeu ela, mas não quis entrar em detalhes.
Gries tem razão: há muito apoio para avanços em tratamentos de longevidade, e parte dele está vindo de pessoas influentes em posições de poder. Talvez o campo realmente esteja prestes a ter um avanço.
E é isso que torna esse campo tão fascinante de cobrir, apesar da estranheza ocasional.





