NFTs, criptos e outros artigos digitais e a velocidade da cultura
Inovação

NFTs, criptos e outros artigos digitais e a velocidade da cultura

A cultura e a economia ganham um novo capítulo inteiramente voltado a uma experiência 100% centrada na atenção de pessoas e comunidades.

Apesar de ter sido um dos assuntos mais comentado de 2021, ainda é muito comum que as pessoas se confundam a respeito de NFT, ativos e moedas digitais. Para começar, NFT (Non-Fungible Tokens) é um certificado digital desenvolvido via blockchain, que define a originalidade e rastreabilidade dos bens digitais. Na prática, esses tokens funcionam como uma autenticação de determinado ativo digital. E, ao contrário das criptomoedas e de diversos outros tokens, NFTs não são mutuamente intercambiáveis, como dinheiro, por exemplo, em que duas notas de dez reais têm o mesmo valor que uma de 20 e podem ser facilmente trocadas.

Para ficar mais claro, vamos falar das moedas digitais. Com certeza você já deve ter ouvido sobre Bitcoin, Ethereum, Dogecoin, entre outras plataformas descentralizadas, que atraem a atenção de muitos investidores por causa de sua valorização e segurança no mercado, certo? Para registrar as transações desses ativos de forma transparente e preservada, é utilizada a tecnologia blockchain, responsável por proteger todas as compras e transferências por criptografia, além de ter suas informações armazenadas em milhares de computadores, o que evita fraudes e gastos duplos. E é justamente por meio dessa tecnologia que funcionam as NFTs.

Quando falamos sobre o mundo financeiro, também é comum ouvirmos sobre as NFTs, considerado um movimento tecnológico completamente inovador e responsável por gerar ativos capazes de autenticar obras, memes e até mesmo um post, podendo ser comercializadas a preços elevados em dólar e em criptomoedas.

De acordo com o estudo realizado pela Fidelity Digital Assets, empresa de criptomoedas, em julho deste ano, sete a cada dez investidores pretendem aplicar em ativos digitais nos próximos anos. Ou seja, apesar da alta variação de preço no mercado, mais da metade dos entrevistados afirmaram que já possuem algum investimento digital. E posso te falar? Isso é fantástico, pois mostra que as pessoas estão perdendo o medo e passando a acreditar no potencial de transformação da economia impulsionada pelos ativos digitais.

Pensando nisso, te faço um questionamento: você já pensou na revolução do mercado quando as pessoas passarem a perceber a real importância da inclusão de novas tecnologias? Sem dúvida alguma, abrirá espaço para o crescimento de investimentos em ativos digitais e, com isso, as criptomoedas e NFTs ganharão ainda mais credibilidade com quem ainda possui algum tipo de receio em investir. Isso vai significar a ascensão de uma cultura de consumo inteiramente digital. E essa mudança acelera a transformação cultural das pessoas em relação à forma como se conectam na internet.

Com infinitas possibilidades de negociações em qualquer lugar do mundo e sendo possível abranger diversas opções de investimento, inclusive os internacionais, os ativos digitais serão os responsáveis por revolucionar a economia do país, visto que a Internet é a nova plataforma das negociações, quebrando qualquer empecilho que poderia ser imposto por questões geográficas.

Não à toa, temos observado cada vezes mais o nascimento, crescimento e estabelecimento de artistas, criadores de conteúdo e comunidades que até então, eram anônimas, mas que diante dos NFTs e da volatilidade de sua moeda em questão (geralmente uma criptomoeda), estão ganhando destaque e conquistando espaços estratégicos na atenção das pessoas. Um ótimo exemplo disso é o do Ahmed, um garoto de 12 anos, que vendeu sua coleção chamada Baleias Estranhas, por aproximadamente US$400.000,00.

Assim, diante desta nova maneira de gerar, promover, tracionar renda e ativos, o surgimento de serviços relacionados, também apresenta aquecimento em seus desenvolvimentos. Além de uma mudança cultural, já que Ahmed, assim como 70% da população na América Latina não possui conta em banco. Entretanto, em contrapartida, já movimenta ativamente sua geração que nasce no meio digital tende a adentrar nas atividades de receita muito mais cedo e de forma muito mais dinâmica.

A relação das marcas com os ativos digitais

Os NFTs e as criptomoedas têm transformado absolutamente a relação das pessoas com os investimentos. Com isso, a grande questão que fica no ar é sobre como as marcas vão se inserir neste sistema, potencializando essas relações e obtendo resultados relevantes para suas estratégias de negócios. Afinal, como as narrativas entre as pessoas e as marcas podem ser contempladas através de NFTs e criptomoedas? A resposta para isso está além da obviedade comercial, de compra e venda, mas sim da captação de experiências legítimas na construção de histórias personalizadas e exclusivas para cada pessoa ou cada comunidade.

Um exemplo perfeito de como as comunidades são o centro das grandes iniciativas digitais pautadas em NFTs e criptomoedas são os chamados “fan token”, que foram recentemente popularizados no PSG e no Sport Club Corinthians Paulista. Eles promovem a relação entre torcedores e clubes na capitalização de uma moeda específica e particular ao contexto estabelecido e podem ser volatilizados em seu valor. A ideia é que com a compra destas moedas, os investidores poderão participar de experiências e estabelecer decisões pontuais que envolvem o futuro do clube. A rentabilidade da fan token do PSG chegou em 140% de valorização na chegada do Messi, que veio do Barcelona.

O metaverso, conceito que mescla o mundo virtual e a realidade aumentada, popularizado e estabelecido nos games, já é um ponto relevante na construção de relacionamento e posicionamento das marcas mais inovadoras no mundo. Neste universo infinito e digital, certamente podemos esperar marcas e influenciadores tracionando seus negócios por meio de experiências e serviços únicos para cada pessoa. E ainda mais: isso tudo estendido às instalações físicas com interatividade e continuidade online e offline.

Uma marca que tem como pilar as relações humanas, registrando eventos e momentos especiais de cada pessoa através de NFTs, ou bonificando em criptomoedas específicas a cada comportamento digital realizado, são garantias de um relacionamento duradouro, visto que as pessoas prezam por empresas que respeitam suas escolhas e opiniões. Como exemplo, uma startup pode promover a saúde de seus parceiros, premiando performances em seu aplicativo com NFTs de suas celebridades preferidas ou acumulando moedas digitais para serem utilizadas em equipamentos ou experiências esportivas. Isso não faz seus olhos brilharem? Imagina quantas empresas podem pensar em estratégias como essas, podendo deixar a imaginação fluir, pois são infinitas as possibilidades.

Pensando em criar interatividade e conexão com o público, as marcas precisam criar estratégias estruturadas envolvendo os ativos digitais, desenvolvendo um ambiente familiar, seguro e assertivo com seus consumidores, o que acarretará em uma fidelidade com seus clientes, visto que os clientes estão dispostos a pagarem mais por marcas que ofereçam experiências, como mostra o levantamento realizado pelo Reclame Aqui, em que 51,2% das pessoas afirmaram que não se importariam em pagar mais caro por um produto desde que tivessem uma experiência de compra melhor com a marca.

Com isso, podemos perceber que a cultura e a economia ganham um novo capítulo, não restritamente digital, mas inteiramente voltado a uma experiência 100% centrada na atenção de pessoas e comunidades.

O fato é que os ativos digitais chegaram para ficar e conquistam cada vez mais investidores por conta de toda facilidade oferecida em suas transações, além de terem impactos relevantes para todas as áreas da nossa sociedade, desde a cultura até a economia. Por isso, a minha dica para quem ainda tem algum tipo de receio é para não perder mais tempo e conhecer esse mundo de oportunidades o quanto antes. Os ativos digitais serão os grandes responsáveis pela revolução global.


Este artigo foi produzido por Rapha Avellar, empreendedor em série, fundador da Adventures e colunista da MIT Technology Review Brasil.

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