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A doença ocular da tireoide (DOT) é uma condição autoimune complexa, frequentemente associada à doença de Graves, que pode comprometer não apenas a visão, mas também a autonomia, a vida social e a saúde emocional das pessoas afetadas. Apesar de seu impacto significativo, o diagnóstico ainda costuma ser tardio, em parte pela baixa familiaridade de profissionais de saúde com os sinais da doença e pela dificuldade de acesso a especialistas.
No novo episódio do podcast Health Equity, da MIT Technology Review Brasil em parceria com a Amgen, Carolina Abelin conversa com Ana Karina Teles, oftalmologista especialista em órbita, sobre os principais desafios no diagnóstico, no tratamento e na organização da jornada de cuidado de pacientes com DOT no Brasil.
Ao longo da conversa, Ana Karina Teles explica por que a doença nem sempre se manifesta de forma evidente e como seus sintomas iniciais podem ser confundidos com alergias ou condições oftalmológicas comuns. Segundo a especialista, quando a DOT não é considerada entre as hipóteses diagnósticas, o atraso no encaminhamento pode resultar em sequelas graves e, em alguns casos, irreversíveis, incluindo perda visual.
O episódio detalha ainda a complexidade clínica da doença, que pode se apresentar em diferentes graus de gravidade, desde quadros mais leves até situações de risco iminente à visão. A médica destaca a importância do estadiamento adequado, do uso de exames de imagem e da atuação conjunta entre oftalmologistas, endocrinologistas e outros especialistas para definir a melhor conduta em cada caso.
Além dos desafios clínicos, a conversa aborda as barreiras de acesso ao tratamento no Brasil. Terapias específicas nem sempre estão disponíveis de forma oportuna, especialmente fora dos grandes centros, o que prolonga o sofrimento e amplia desigualdades na jornada do cuidado. Nesse contexto, a informação se torna um fator decisivo para reduzir o tempo até o diagnóstico e evitar desfechos mais graves.
A partir de casos reais do consultório, Ana Karina Teles reforça que ampliar o conhecimento sobre a doença entre profissionais da atenção básica, especialistas não focados em órbita e o público em geral é um passo fundamental para encurtar trajetórias, qualificar encaminhamentos e garantir que os pacientes cheguem mais cedo ao cuidado adequado.
Colocar o paciente no centro das decisões, segundo ela, é essencial para reduzir sofrimento, sequelas evitáveis e desigualdades no acesso à saúde.



