Ucrânia usa crowdfunding de criptomoedas para financiar sua luta contra a Rússia
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Ucrânia usa crowdfunding de criptomoedas para financiar sua luta contra a Rússia

A estratégia, no entanto, é repleta de complicações devido aos altos e baixos das plataformas e aos golpes que se proliferam na internet.

A Rússia surpreendeu o mundo com a velocidade de seu avanço na Ucrânia no final de fevereiro. Parte da razão pela qual oprimiu seu vizinho tão rapidamente, além do choque por seu ritmo vertiginoso, é o grande desequilíbrio entre os recursos militares dos dois países. Com US$ 6 bilhões, o orçamento de defesa da Ucrânia é apenas 10% do da Rússia, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI).

Os ucranianos, desesperados para arrecadar dinheiro rapidamente, estão recorrendo ao crowdfunding (financiamento coletivo) para adquirir equipamentos militares. O GoFundMe está cheio de páginas que visam arrecadar dinheiro para ucranianos necessitados, e o site da fundação ucraniana Come Back Alive, uma instituição de caridade sem fins lucrativos que beneficia os militares do país, arrecadou impressionantes US$ 4 milhões em criptomoedas em pouco tempo, graças a uma única doação anônima de US$ 3 milhões.

[Twitter]

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Os esforços de financiamento coletivo com foco militar não são um fenômeno novo para a Ucrânia. Nem o uso de criptomoedas para esse propósito. Em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia, o crowdfunding canalizou fundos para o exército do país e para uma resistência armada mais abrangente, possibilitando a compra de equipamentos médicos e suprimentos militares. Os civis se inscreveram para lutar ao lado dos militares do país com armas fornecidas pelo governo.

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Atualmente, a Fundação Come Back Alive é um dos maiores e mais proeminentes grupos que auxiliam as forças ucranianas. Foi fundada em 2014 por Vitaliy Deynega, um voluntário de Kiev que começou a arrecadar dinheiro e fornecer coletes à prova de balas para soldados que lutavam na região de Donbas, na Ucrânia, imediatamente após a Rússia anexar a Crimeia. Deynega escreveu “Come Back Alive” em cada colete, inspirando assim o nome de seu grupo. Seus esforços foram promovidos pelo governo ucraniano, que chamou o Come Back Alive de “principal fundo de caridade da Ucrânia”. Doadores potenciais também foram direcionados para a “conta especial” do Banco Nacional da Ucrânia por meio de contas americanas e britânicas do Chase Bank.

Mas no dia 24 de fevereiro, a fundação encontrou um grande obstáculo: uma de suas principais fontes de financiamento internacional na plataforma de crowdfunding Patreon foi desativada. A campanha permanece offline.

Um porta-voz do Patreon citou a política da empresa sobre “atividades nocivas e ilegais” para justificar a decisão, dizendo: “O Patreon não permite nenhuma campanha envolvendo violência ou compra de equipamento militar, independentemente da causa. Suspendemos a campanha em questão enquanto investigamos”.

A reação dos ucranianos foi rápida. Os críticos acusaram a plataforma de confiscar uma boia de salva-vidas que servia como autodefesa contra a Rússia e questionaram por que tomou a decisão agora, já que a página estava online há anos.

O Patreon tornou-se a principal fonte de financiamento coletivo neste conflito; outras organizações ucranianas bem estabelecidas, como o meio de comunicação de língua inglesa Kyiv Independent, também arrecadam fundos na plataforma. Até agora, o GoFundMe não divulgou nenhuma declaração sobre o crowdfunding ucraniano que estão hospedando em sua plataforma.

Essas plataformas possuem um tremendo poder por sua capacidade de ajudar as pessoas a levantar e movimentar grandes somas de dinheiro. Mas um problema que eles enfrentam é que, especialmente no nevoeiro da guerra, nem sempre fica claro quem está doando e quem recebe o dinheiro. Já existem inúmeros golpes relacionados à Ucrânia na Internet. Para dar um exemplo, uma conta do Twitter que anteriormente era usada para jogos de azar agora está compartilhando links de Bitcoin e alegando estar arrecadando dinheiro para ajudar a financiar a luta contra a Rússia.