Os 8 piores fracassos tecnológicos de 2025
Humanos e tecnologia

Os 8 piores fracassos tecnológicos de 2025

O Cybertruck, a Inteligência Artificial bajuladora e os robôs humanoides entraram na lista deste ano

Bem-vindo à nossa lista anual das menos bem-sucedidas, piores e simplesmente mais idiotas tecnologias do ano.

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Em 2025, a política foi um tema recorrente. Donald Trump voltou ao cargo e usou sua caneta presidencial para remodelar a sorte de setores inteiros, das energias renováveis às criptomoedas. A demolição começou ainda antes de sua posse, quando o presidente eleito comercializou sua própria memecoin, $TRUMP, em um ato descarado de merchandising que, é claro, nós homenageamos na lista de pior tecnologia deste ano.

Gostamos de pensar que há uma lição em cada desventura, mas, quando a tecnologia passa a depender do poder, às vezes a conclusão é mais simples: teria sido melhor ficar longe.

Essa foi uma conclusão que Elon Musk tirou de sua passagem como instigador do Departamento de Eficiência Governamental (Department of Government Efficiency, ou DOGE), a iniciativa insurgente de corte de custos que passou uma motosserra por agências federais. O público protestou. Teslas foram incendiados e motoristas de seu alardeado Cybertruck descobriram que, em vez de um sinal de positivo, estavam recebendo o dedo do meio.

Em retrospecto, Musk disse que não faria isso de novo. “Em vez de fazer o DOGE, eu teria, basicamente… trabalhado nas minhas empresas”, disse ele em uma entrevista neste mês. “E eles não estariam queimando os carros.”

Arrependimentos: 2025 teve alguns. Aqui estão alguns dos mais notáveis.

NEO, o robô doméstico

Imagine um mordomo de metal que enche sua lava-louças e abre a porta. É um sonho saído direto da ficção científica. E vai continuar lá, pelo menos por um tempo.

Essa foi a conclusão hilária, e desanimadora, das primeiras análises do NEO, um robô humanoide de 66 libras (cerca de 500 reais) cujo fabricante afirma que ele vai “dar conta de qualquer uma das suas tarefas domésticas de forma confiável” quando começar a ser enviado este ano.

Mas, como um repórter do Wall Street Journal descobriu, o NEO levou dois minutos para dobrar um suéter e não conseguiu quebrar uma noz. Não só isso. O robô foi teleoperado o tempo todo por uma pessoa usando um visor de realidade virtual.

Ainda interessado? O NEO está disponível em pré-venda por US$ 20 mil, da startup 1X.

Inteligência Artificial bajuladora

Diz-se que São Francisco, nos Estados Unidos, é o tipo de lugar em que ninguém vai dizer a você se tem uma ideia ruim. E seu maior produto em uma década, o ChatGPT, muitas vezes se comporta exatamente assim.

Em 2025, a OpenAI lançou uma atualização especialmente bajuladora, que dizia aos usuários que suas perguntas corriqueiras eram brilhantemente perspicazes. Essa rotina de “homem do sim” eletrônico não é um acidente, é uma estratégia de produto. Muita gente gosta da bajulação.

Mas isso também é dissimulado e perigoso. Chatbots já demonstraram disposição para alimentar os delírios e os piores impulsos dos usuários, inclusive impulsos suicidas.

Em abril, a OpenAI reconheceu o problema quando a empresa recuou em uma atualização de modelo cuja personalidade ultra-concordante, segundo ela, teve como efeito colateral “validar dúvidas, alimentar raiva, incentivar ações impulsivas ou reforçar emoções negativas”.

Não ouse acreditar que o problema está resolvido. Em dezembro, quando eu apresentei ao ChatGPT uma das minhas ideias mais idiotas, a resposta começou assim: “Eu adoro esse conceito.”

A empresa que criou o “lobo-terrível”

Quando você contar uma mentira, conte uma mentira grande. Faça ela pular e ter orelhas pontudas. E a faça branca. Muito branca.

Foi isso que a empresa de biotecnologia do Texas Colossal Biosciences fez quando revelou três animais brancos como a neve que, segundo ela, eram lobos-terríveis reais, que foram extintos há mais de dez milênios.

Para ser justo, esses lobos-cinzentos geneticamente modificados foram feitos de engenharia impressionante. Eles foram tornados brancos por meio de uma mutação genética e até tiveram alguns pedaços e partes de DNA copiados de ossos antigos dos lobos-terríveis, mas “não são lobos-terríveis”, segundo especialistas em canídeos da União Internacional para a Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature, ou IUCN).

A ofensiva promocional da Colossal pode prejudicar espécies realmente ameaçadas. Apresentar a desextinção como “uma solução de conservação pronta para uso”, disse a IUCN, “corre o risco de desviar a atenção da necessidade mais urgente de garantir ecossistemas funcionais e saudáveis”.

Em uma declaração, a Colossal disse que a análise de sentimento da atividade online mostra 98% de concordância com suas alegações peludas. “Eles são lobos-terríveis, fim da história”, diz.

Expurgo político do mRNA

Salve o mundo e é esse o agradecimento que você recebe?

Durante a pandemia de Covid-19, os Estados Unidos apostaram alto em vacinas de mRNA (o ácido ribonucleico, molécula presente nas células que copia instruções do DNA e as leva aos ribossomos) e a nova tecnologia entregou resultados em tempo recorde.

Mas agora que as principais agências de saúde dos EUA são lideradas pelo tresloucado antivacina Robert F. Kennedy Jr., “mRNA” se tornou um xingamento político.

Em agosto, Kennedy cancelou abruptamente contratos de centenas de milhões para vacinas de próxima geração. E a fabricante de imunizantes Moderna, antes a campeã americana, viu suas ações caírem mais de 90% desde o pico na era da Covid.

O expurgo que mira uma molécula-chave da vida (nossos corpos estão cheios de mRNA) não é apenas bizarro. Ele pode desacelerar outros medicamentos baseados na molécula, como tratamentos contra o câncer e a edição genética para doenças raras.

Em agosto, um grupo comercial reagiu: “A vilificação anticientífica e equivocada de Kennedy, da tecnologia de mRNA e o cancelamento de subsídios são o exemplo máximo de cortar o próprio nariz para afrontar o próprio rosto.”

Wikipédia em groenlandês

Com edições em 340 idiomas, a Wikipédia perdeu uma delas neste ano. A edição em groenlandês não existe mais.

Apenas cerca de 60 mil pessoas falam a língua inuíte. E muito poucas delas, ao que parece, se importaram com a enciclopédia online. Como resultado, muitas das entradas eram traduções automáticas cheias de erros nonsense.

Talvez um site que ninguém visita não devesse ser um problema. Mas a existência dele criou o risco de uma “espiral de ruína” linguística para o idioma ameaçado. Isso poderia acontecer se novas IAs fossem treinadas com base nos artigos corrompidos da Wikipédia.

Em setembro, administradores votaram para fechar a Wikipédia em groenlandês, citando um possível “dano à língua groenlandesa”.

Tesla Cybertruck

Há um motivo para estarmos atrasados para o festival de ódio em torno do Cybertruck de Elon Musk. É que, há 12 meses, o polígono polêmico era a picape elétrica mais vendida nos EUA.

Então talvez acabasse sendo um sucesso.

Não. A Tesla provavelmente vai vender apenas cerca de 20 mil caminhonetes neste ano, cerca de metade do total do ano passado. E uma grande parte do problema é que toda a categoria de picapes elétricas está enfrentando dificuldades. Só neste mês, a Ford decidiu abandonar a própria picape elétrica, a F-150 Lightning.

Com o estoque não vendido se acumulando, Musk começou a vender Cybertrucks como veículos de frota para outros empreendimentos seus, como a SpaceX.

Shitcoin presidencial

Donald Trump lançou uma moeda digital chamada $TRUMP apenas alguns dias antes de sua posse em 2025, acompanhada de um logotipo mostrando sua pose de punho erguido com o “Fight, fight, fight”.

Isso era uma memecoin, ou uma shitcoin, não dinheiro de verdade. Memecoins são mais parecidas com merchandising, colecionáveis projetados para serem comprados e vendidos, geralmente com prejuízo. De fato, elas foram comparadas a um golpe consensual no qual o emissor de uma moeda pode ganhar uma bolada enquanto compradores ficam com as perdas.

A Casa Branca diz que não há nada de errado. “O público americano acha absurdo que alguém insinue que este presidente está lucrando com a presidência”, disse a porta-voz Karoline Leavitt em maio.

Apple Watch “neutro em carbono”

Em 2023, a Apple anunciou seu “primeiro produto neutro em carbono”, um relógio com “zero” emissões líquidas. A empresa chegaria a isso usando materiais reciclados e energia renovável, além de preservar florestas ou plantar vastas extensões de eucalipto.

Críticos dizem que é greenwashing (uma estratégia de marketing enganosa para promover algo como supostamente sustentável ou ambientalmente correto). Advogados abriram um processo na Califórnia contra a Apple por publicidade enganosa e, na Alemanha, um tribunal decidiu que a empresa não pode anunciar produtos como neutros em carbono porque o “suposto armazenamento de CO2 em plantações comerciais de eucalipto” não é uma certeza.

A equipe de marketing da Apple recuou. A embalagem dos relógios mais novos não diz “neutro em carbono”. Mas a Apple acredita que o preciosismo jurídico é contraproducente, argumentando que ele só pode “desencorajar o tipo de ação climática corporativa crível de que o mundo precisa”.

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