A redução do uso de animais em testes científicos deixou de ser apenas um debate ético para se tornar também uma questão de qualidade técnica. Novas tecnologias vêm permitindo modelar tecidos e órgãos humanos em laboratório, gerando dados mais próximos da fisiologia real e acelerando o desenvolvimento de produtos e terapias.
Neste episódio do podcast Biotech and Health, Camila Pepe e Carolina Abelin recebem Letícia Charelli, especialista em bioimpressão e diretora da BioEdTech, para discutir como soluções como órgãos em chip e bioimpressão 3D impactam a pesquisa biomédica. Essas plataformas permitem testar compostos em microambientes controlados, usando células humanas, inclusive do próprio paciente, e acompanhar respostas por semanas ou meses, algo difícil de reproduzir em modelos animais.
A conversa aborda ainda o papel dessas tecnologias na medicina personalizada, com aplicações que vão desde testes farmacológicos e dermocosméticos até o treinamento de profissionais de saúde. Letícia explica como a combinação entre órgãos em chip, tecidos bioimpressos e modelos computacionais, conhecidos como gêmeos digitais, abre caminho para análises preditivas mais robustas, especialmente quando integradas à inteligência artificial.
O episódio também discute os limites atuais dessas abordagens, os desafios regulatórios no Brasil e no mundo e as diferenças entre setores como cosméticos e farmacologia. Embora a substituição total dos testes em animais ainda não seja uma realidade para doenças sistêmicas complexas, o avanço dessas tecnologias já aponta para um futuro com pesquisas mais eficientes, sustentáveis e alinhadas ao funcionamento do corpo humano.
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