Israel inicia investigação sobre abuso de spyware do Grupo NSO
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Israel inicia investigação sobre abuso de spyware do Grupo NSO

“Queremos que eles verifiquem tudo”, diz o CEO de uma empresa de segurança cibernética envolvida em campanhas contra políticos, ativistas e outras figuras notáveis.

Funcionários do governo israelense visitaram os escritórios do Grupo NSO, uma empresa hacker, para investigar as alegações de que o spyware desenvolvido por eles foi usado para espionar ativistas, políticos, executivos e jornalistas, disse o Ministério da Defesa do país em um comunicado no dia 28 de julho.

Uma investigação no mesmo mês por 17 organizações de meios de comunicação globais afirma que números de telefone pertencentes a figuras notáveis ​​foram alvos do Pegasus, o notório spyware que é o produto mais vendido da NSO.

O Ministério da Defesa não especificou quais agências governamentais estavam envolvidas na investigação, mas a imprensa israelense relatou anteriormente que o Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Justiça, Mossad e inteligência militar também estavam investigando a empresa após o relatório.

O CEO do Grupo NSO, Shalev Hulio, confirmou a MIT Technology Review americana que a visita aos escritórios havia ocorrido, mas continuou a negar que a lista publicada por repórteres estava ligada ao Pegasus.

“É verdade”, disse ele, acrescentando: “Acho muito bom que eles estejam investigando, pois sabemos a verdade, e sabemos que a lista nunca existiu e não está relacionada ao NSO.”

Os relatórios se concentraram principalmente no ataque hacker bem-sucedido a 37 smartphones de líderes empresariais, jornalistas e ativistas de direitos humanos. Mas eles também revelaram uma lista vazada de mais de 50.000 números de telefone de interesse em países que são supostamente clientes do Grupo NSO. A empresa negou repetidamente o relato. Até agora, a fonte e o significado da lista permanecem obscuros, mas vários telefones nela foram hackeados, de acordo com uma análise técnica do Laboratório de Segurança da Anistia Internacional.

Quando questionado se o processo de investigação do governo vai continuar, Hulio disse que espera que continue.

“Queremos que eles verifiquem tudo e se certifiquem de que as alegações estão erradas”, acrescentou.

Escândalo internacional

Apesar das negativas enfáticas, o “Projeto Pegasus” atraiu a atenção internacional.

Nos Estados Unidos, membros democratas do Congresso apelaram à ação contra a NSO.

“As empresas privadas não deveriam vender ferramentas sofisticadas de intrusão cibernética no mercado aberto, e os Estados Unidos deveriam trabalhar com seus aliados para regular esse comércio”, disseram os legisladores. “As empresas que vendem ferramentas incrivelmente sensíveis para ditaduras são os AQ Khans do mundo cibernético. Elas devem ser sancionadas e, se necessário, encerradas”.

O governo francês disse que questionará o ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, depois que o telefone do presidente francês Emmanuel Macron apareceu na lista que vazou. A NSO negou qualquer tentativa de hackear funcionários franceses.

A NSO não é a única empresa de hackers israelense nas notícias nos últimos dias. A Microsoft e o Citizen Lab da Universidade de Toronto também relataram recentemente sobre ferramentas de hacking desenvolvidas por Candiru que foram posteriormente usadas para atingir grupos da sociedade civil.

O Grupo NSO está sob a regulamentação direta do Ministério da Defesa de Israel, que aprova cada venda. Os críticos dizem que o processo de licenciamento de exportação é falho porque resulta em vendas para regimes autoritários que usaram as ferramentas de hacking para cometer abusos. A NOS, por sua vez, disse recentemente que a empresa baniu cinco clientes por abuso.

O ministério disse na semana passada que “tomará as medidas cabíveis” se descobrir que o Grupo NSO violou sua licença de exportação.

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