Criptos a caminho do Metaverso
Computação

Criptos a caminho do Metaverso

Bem antes de conhecermos o metaverso por esse nome, as criptomoedas já faziam parte dessa história.

Mais uma super tendência promovida pela pandemia, vem aí o metaverso. A palavra de conotação instigante vem do trocadilho claro com o universo. Se o universo é o ambiente real inteiro, o metaverso é o ambiente virtual inteiro, por isso “meta”. O conceito não é muito novo, players como o Facebook já vem falando sobre isso há um tempo, inclusive se posicionando hoje como uma empresa de metaverso. As apostas são enormes. As pessoas tiveram que ficar isoladas durante a pandemia, em quarentena, e embarcaram de vez no mundo digital.

Dois pontos curiosos se destacam nessa confusão: o primeiro é que o metaverso é um movimento maior do que imaginamos, é uma disruptura de modelo, de forma que este mercado provavelmente não será de nenhuma das Big Techs, ou melhor, será de uma nova Big Tech. Apesar de o Facebook tentar conquistar esse espaço — ainda sem sucesso, assim como o Google não conseguiu entrar nas redes sociais.

O segundo ponto curioso é que o Brasil pode estar à frente nisso. Poderá ser um novo unicórnio brasileiro, assim como Wild Life. Ninguém duvida do engajamento que os brasileiros têm com as redes sociais, nem do amor que têm pelos games, que hoje são a porta de entrada para os ambientes virtuais.

Esses dois pontos já foram extensamente discorridos aqui na MIT Technology Review Brasil pelo meu colega Guilherme Ravache no artigo Brasil tem chance de liderar a corrida pelo metaverso.

Second Life

Você se lembra do Second Life? Um jogo de simulação em 3D criado pela Linden Lab, em 2003. Foi um estouro. O ambiente virtual já era um metaverso, com algumas possíveis controvérsias acadêmicas.

Lembro que já estava começando a ter um mercado imobiliário virtual aquecido, onde era possível comprar terras e apartamentos. Empregos virtuais estavam sendo anunciados. Era possível customizar ao detalhe o seu avatar, ser uma nova pessoa, encontrar novas pessoas e conhece-las apenas virtualmente. Era possível voar.

Como você já deve imaginar, o Second Life hoje está no esquecimento, mas vamos analisar os principais fatores para isso ter acontecido.

A queda e o surgimento do metaverso

O primeiro fator, já mencionado acima, é o fato de ele estar fora do tempo. Para se ter uma ideia, em 2003 ainda estávamos na bolha da Internet e não havia nem redes sociais direito.

Então primeiro houve a ascensão das redes sociais. Enquanto faltava o que fazer no Second Life, as redes sociais como Orkut e Facebook ferviam com assuntos do mundo real. Um sistema computacionalmente mais eficiente e mais ágil. O Second Life, por outro lado, ainda tinha gráficos ruins e lentos.

Mesmo a Linden Labs tentando melhorar os gráficos, veio o forte mundo dos games como GTA, com gráficos muito superiores e entretenimento. Sem a pretensão de ser a sua segunda vida.

Como vocês sabem, o mundo dos games cresce exponencialmente, já absorvendo as redes sociais e extremamente capazes de criar mundos virtuais para suas aventuras. Estamos na fase do game dos games, onde o usuário pode criar seu mundo e sua aventura para os outros jogarem. Este era o Second Life.

Ainda faltou um ingrediente para o encantamento acontecer. O Second Life viralizou muito, caiu, mas existe até hoje em um mundo meio underground, com poucos logins. O que fez e faz isso acontecer é o ingrediente final, a promessa não só de entretenimento, mas de uma economia virtual.

O ingrediente final

O que levou muita gente ao Second Life foi a promessa de novos empregos nos quais as pessoas ganhavam dinheiro real ou Linden Dollars conversíveis em real.

Em 2003 não só não havia Facebook, mas mais do que isso, se a economia era o forte, não havia criptomoedas.

É isso! A hora e a vez do metaverso. Vamos juntar todos os ingredientes?

Começamos pelo Brasil, juntamos com o game GTA, com as redes sociais, uma nova empresa, a Loud. O resultado: Cidade Alta. É o maior servidor de GTA da América Latina. É um ambiente virtual como esse abaixo:

Temos o iFood lá dentro. Sim, o iFood da vida real já foi lá pra dentro. Assim como aconteceu no Second Life, várias empresas vão tomar seus espaços no mundo virtual.

Mas agora é a hora do ingrediente final, que vai mudar tudo. Mais uma vez, Brasil: a blockchain brasileira Hathor está cunhando as criptos que terão valor na economia real. Dá uma olhada neste carro:

Legal, não é mesmo? Foi vendido em segundos. Seja bem-vindo ao futuro metaverso. Ou seria Criptoverso?


Este artigo foi produzido por Christian Aranha, Empreendedor e pesquisador na área de Inteligência Artificial, Big Data e Blockchain, autor do livro Bitcoin, Blockchain e Muito Dinheiro e colunista da MIT Technology Review Brasil.

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