A saúde é o futuro? Então como construir produtos de saúde digitais?
Health Innovation por Einstein

A saúde é o futuro? Então como construir produtos de saúde digitais?

O mercado de saúde pode ser complexo, porém também é um dos com mais oportunidades para desenvolver ideias e projetos que impactem a vida das pessoas.

Quando as pessoas imaginam produtos de saúde, em especial para médicos e pacientes, é comum pensarmos em soluções técnicas, com muitos jargões médicos e funcionalidades difíceis de utilizar. Mas, na verdade, não precisa ser assim (e não deve ser assim) se você busca construir um produto de sucesso no setor de saúde.

A pandemia nos mostrou o quão vulneráveis nós somos, mas também abriu nossas mentes para pensar em saúde de uma maneira mais universal. Não somos pacientes somente quando estamos doentes, somos todos os dias, em todos os lugares. Finalmente o mercado está se educando e entendendo que precisamos construir produtos de saúde, e não de doenças.

Atualmente lidero a área global de experiência dos pacientes no grupo Docplanner, e como time, nosso objetivo é claro, tornar a experiência dos pacientes mais fácil e humanizada. Claro que não é uma tarefa fácil, afinal como comentei, saúde está em todo lugar, logo conseguir entregar uma experiência incrível em todos os pontos de contato com pacientes é complexo e leva tempo, porém essa jornada é muito gratificante.

Primeiramente gostaria de comentar que não existe uma receita de bolo para construir produtos e tecnologias para o setor de saúde, porém existem alguns aprendizados e dicas que tive ao longo do caminho em diferentes healthtechs que podem ajudar muito você e sua empresa a alcançar grandes resultados, seja seu foco em ajudar pacientes, médicos ou outros profissionais de saúde.

Sonhe grande, mas comece pequeno

Quando você está trabalhando em um mercado complexo como o da saúde, é comum cometermos o erro de pensarmos que tudo é essencial em uma primeira versão do produto ou serviço. Você cria um grande projeto, investe muito tempo e dinheiro nele e, bem… é chato dizer isso, mas existe uma grande chance do seu projeto falhar, porque você vai descobrir que não era o que realmente os seus usuários esperavam de você naquele momento ou que para ser completo, você teve que abrir mão da facilidade de uso, então o completo também se tornou complexo. Comece pelo mais importante e simples para ajudar seu usuário.

Claro que sonhar é importantíssimo, no meu time sempre damos espaço para todos sonharem e contribuírem com diferentes ideias para o produto, porém mesmo que discutamos e criemos diferentes protótipos e designs, no final todos sabem que esses protótipos nunca serão a versão final. Todos estão alinhados que depois do conceito de design, vamos começar a desenvolver as ideias com o melhor balanço entre impacto, esforço e confiança que temos que aquele ponto é relevante ou não. Além disso, na grande maioria das vezes, essas validações começam na rua, conversando com potenciais usuários do nosso produto e entendendo como podemos ajudá-los.

Mais importante do que a versão final, é quantas vezes você interage com usuários de verdade, aprende e melhora o seu produto rapidamente, pois a cada nova versão na rua, novos insights surgem e mais alinhados estamos com nosso usuário. Na realidade, esse tópico de maneira geral serve para produtos ou serviços de qualquer setor (saúde, educação, finanças…) e é uma das principais causas para um produto morrer, falta de melhoria contínua.

Veja abaixo o efeito da melhoria contínua, 1% melhor todos os dias pode criar algo 37x melhor que a sua primeira versão em apenas 1 ano.

[Imagem: 1% melhor todos os dias = melhoria de 37x em 1 ano]

Gosto muito de uma frase que Reid Hoffman, fundador do LinkedIn disse uma vez: “se você não tem vergonha da primeira versão do seu produto, você demorou demais para lançá-la”.

E para provar que ele seguiu a frase ao pé da letra, veja abaixo uma das primeiras versões do LinkedIn:

[Imagem: interface de uma das primeiras versões do LinkedIn]

Quer um exemplo brasileiro? Veja o primeiro site do Buscapé:

[Imagem: interface de uma das primeiras versões do Buscapé]

Claro que você já deve ter ouvido alguma história de chefe ou pessoa com excesso de confiança dizendo que é X, Y e Z o que o usuário precisa e ponto, mas cuidado com essa abordagem, é bem fácil quebrar a cara, especialmente em um mercado como o da saúde.

Inclusive temos exemplos de gigantes como a Microsoft com o Health Vault e o Google, com o Google Health há alguns anos e novamente esse ano, em que sua divisão de saúde foi novamente fragmentada. Se os gigantes se perdem no caminho da saúde quando tentam atacar muitas frentes ao mesmo tempo, imagine empresas e idéias que estão começando.

A saúde é um “esporte de grupo”, não individual

Não importa se você quer resolver apenas a dor dos pacientes. Existem diversos stakeholders envolvidos nesse setor, e para conseguir realmente fazer a engrenagem girar, é fundamental compreender todos os envolvidos, de médicos a toda cadeia de saúde (hospitais, operadoras, etc).

Eu senti na prática e aprendi o quão relevante é compreender a metáfora do esporte de grupo nesse mercado. Abaixo você pode conferir o crescimento de uma funcionalidade focada em pacientes e que já existia há anos. Quando eu entrei nesse projeto, tentei realizar durante 4 meses melhorias de acordo com os feedbacks que recebia dos pacientes. O produto seguia crescendo, mas o crescimento exponencial ocorreu realmente quando unimos forças com outros stakeholders, médicos e equipe clínica, pois percebemos que eles também eram fundamentais para a adoção dos pacientes e portanto, o envolvimento deles era fundamental. Após envolver esses stakeholders vimos um crescimento de 14x em poucos meses.

De segurança e de qualidade não se abre mão nesse mercado

Poucos ou talvez nenhum outro setor tem tanto impacto na vida das pessoas como a saúde, logo atalhos que possam impactar na qualidade do seu produto ou na segurança dele não devem ser, de maneira nenhuma, considerados. Em fintechs, se algo der errado, você perde dinheiro, na saúde, são vidas que estão em jogo.

Esse é um ponto que gera certa confusão quando as pessoas comparam com o primeiro tópico que citei, sonhe grande mas comece pequeno. Porém não se engane, o Mínimo Produto Viável (MVP) na saúde significa simplicidade, porém sem abrir mão do que é importante para tornar seu produto seguro para os seus usuários.

Preparado para construir um produto incrível para o setor de saúde?

Design e simplicidade são algumas das peças-chave para construir um bom produto, mas também não se esqueça de bons aprendizados de outros mercados, como compreender seus canais de aquisição, usar dados para tomada de decisão e ouvir seus clientes.

O mercado de saúde é um dos mais incríveis e que passará por mais transformações nos próximos anos, de IA para acelerar o desenvolvimento de medicamentos, acompanhamento e digitalização de tratamentos de saúde, e muito mais.

Análise do mercado:

“O percurso da Transformação Digital dos mais diversos setores não tem uma linha de chegada; é um caminho contínuo que acompanha a evolução das tecnologias. Assim, o refinamento das otimizações e ajustes constantes em produtos digitais são indispensáveis para promover a melhor experiência ao cliente, como aponta o artigo. Para as empresas do setor de healthcare, apesar do cenário complexo, há grandes oportunidades para inovar e criar experiências digitais que sejam relevantes para o mercado como um todo”. — Cassio Pantaleoni, VP de Experience Digital Sales da Adobe.


Este artigo foi produzido por Gustavo Comitre, Product Manager na DocPlanner e colunista da MIT Technology Review Brasil.

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