A inovação e o tempo
Inovação

A inovação e o tempo

Como dizia Peter Drucker, “o tempo é uma grandeza física presente não apenas no cotidiano como também em todas as áreas e cadeiras científicas, e pessoas eficazes sabem que tempo é o fator limitante dos negócios”. Outros pensadores destacam que o tempo em nossas vidas é finito, por muitas vezes escasso, logo, aproveitá-lo da melhor maneira é ser inteligente.

Aproveitar o tempo, seja no âmbito profissional ou pessoal, é sempre uma busca contínua de todos, em qualquer lugar ou segmento. Vale o mesmo para o jogador de futebol durante um jogo, para um executivo no seu período de metas, para um assistente nas tarefas do dia, para um profissional esperando o ônibus e para uma criança na escola. Aproveitar ou potencializar o tempo é sem dúvida o maior foco de todos.

Este, hoje, é certamente um dos principais desafios para os pensadores e estrategistas de marketing, pois toda e qualquer marca hoje disputa uma pequena fatia de tempo da atenção dos consumidores, e a cada dia que passa, nos tornamos mais criteriosos ao investir esse tempo. Assim, mais do que nunca, o tempo e a atenção passaram a ser uma das moedas mais valorizadas de nossa sociedade.

Se analisarmos todas as evoluções que tivemos nos últimos 200 anos, encontraremos pelo menos um ponto de convergência: o foco em otimizar o tempo. Mas hoje, o foco do tempo nestas revoluções é ligeiramente diferente, o que tem criado o maior desconforto para executivos e empresários. Há pouco tempo, não mais do que 15 anos, a maior parte das inovações buscava otimizar o tempo, especialmente para os negócios e menos para os consumidores. Evoluções em linhas de produção, velocidade dos meios de transporte, logística, energia, automação de processos e digitalização de relações sempre foram fundamentalmente focadas em dar às empresas capacidade de crescimento, redução de custos e, às vezes, gerar uma melhoria ao consumidor. Todas essas evoluções, sem dúvidas, tendo o tempo como protagonista, e o consumidor como coadjuvante oportuno ou não para estes benefícios.

Se analisarmos a evolução dos últimos 25 anos no segmento financeiro, veremos muitas melhorias que foram entregues ao consumidor, como consultar o extrato, sacar dinheiro e pagar contas, tudo isso sem precisar interagir com atendentes. Mas, na verdade, estas melhorias foram criadas para dar maior produtividade aos bancos, pois o foco era reduzir necessidade de atendentes, diminuir o tempo médio de atendimento, e, em consequência e com sorte, dar um melhor atendimento aos correntistas. Mas a premissa inicial, foi e sempre será, otimizar o tempo.

Mas nos últimos anos alguns elementos deixaram de ser variáveis e passaram a ser constantes, como o caso do consumidor. A constante tempo é basilar e foi unificada ao consumidor. A constante empresa passou agora a ser a variável da equação dos negócios e relações. Hoje, quem devolve mais ou melhor tempo para as pessoas, aos consumidores, é quem tem obtido destaque no mercado.

Esta mudança é que ainda não passou a ser entendida de forma adequada pelas empresas. Por isso, a cada dia, surgem startups ou empresas novas, com propostas de relacionamento com consumidores que se tornam sucesso, fazendo com que mercados consolidados sejam rapidamente colocados em situação de muito desconforto.

Se olharmos nos últimos 5 anos, quantos negócios sofreram disrupção? Hoje, temos empresas financeiras que usam a tecnologia com foco no consumidor e passaram a protagonizar o modelo ideal para as pessoas. Uber, fotos digitais, música por assinatura… poderíamos citar aqui uma centena de exemplos de empresas que entregaram inovação, com tecnologia, mas fundamentalmente, com foco em entregar a melhor experiência para as pessoas, a sensação de que o tempo utilizado foi o melhor. Empresas de delivery, que entregam qualquer coisa a qualquer hora, são uma forma simples de traduzir, com tecnologia e comodidade, a melhor ocupação do tempo, devolvendo tempos não produtivos para as pessoas.

Não sei se você sabia, mas o Brasil ainda é um dos poucos países do mundo em que a Uber tem opção de ponto de parada intermediário em uma viagem, pois a maior parte dos brasileiros tem a necessidade de aproveitar o deslocamento para passar em uma loja de conveniência, farmácia ou minimercado para comprar algo pontual. E assim surgem empresas como a Cargo que coloca uma mini loja dentro do carro da Uber, eliminando a necessidade do consumidor de fazer aquela parada, permitindo que ele compre o que eventualmente precisava no próprio carro, devolvendo assim tempo para ele.

Os novos meios de transporte pay-per-use (patinetes, bicicletas…) são outros bons exemplos. São mais simples, rápidos e práticos de utilizar do que esperar por outro meio de transporte. E, novamente, não são mais baratos, mas sim são o exemplo do melhor uso do tempo.

Há anos estamos acompanhando uma mudança de estratégia dos grandes varejistas de alimentos, que até pouco tempo investiam fortemente em grandes e amplas lojas (os hipermercados) e há poucos anos passaram a ajustar sua estratégia para lojas menores, com melhor localização, criando a melhor associação de tempo e necessidade entre os consumidores.

As conveniência também evoluiu muito nesse segmento nos últimos anos, permitindo, por exemplo, que demandas como café, produtos de higiene, produtos orgânicos entre tantos outros passassem a ser ofertados por empresas de nicho, especializadas, muitas vezes com modelos de assinatura, e com uma conveniência mais ampla ainda, entregando, por exemplo, verduras e frutas orgânicas toda quarta-feira na casa do cliente, eliminando assim a necessidade periódica de ir para um supermercado na busca dos produtos desejados.

Toda esta evolução de possibilidades certamente é fruto do grande avanço tecnológico, principalmente no quesito de dispositivos móveis e serviços vinculados. Hoje, facilmente, com uma estação de Inteligência Artificial por voz (Alexa, Google Assistente…), você pode incluir itens na sua lista de compras, pedir comida pelo delivery, analisar a previsão do tempo, escutar notícias, ajustar sua agenda profissional entre tantas outras coisas, devolvendo assim mais tempo para a sua vida.

Empresas que buscam soluções de e-Commerce, CRM integrado com visão única dos clientes, atendimento em qualquer canal não estão mais querendo prioritariamente fazer mais com menos, mas sim fazer do uso do tempo das pessoas o melhor, e com isso otimizar a variável de negócio. Ou você acha que a opção de vender pela internet é ofertada por que é melhor para as empresas? Investir em ter visão única do cliente, como seu perfil de compra, desejos, interesses para quando falar com ele, entregar a mensagem mais adequada para otimizar seu tempo é algo opcional hoje na expectativa dos consumidores? O consumidor tem a liberdade de escolher o valor da variável da equação dos negócios e quem estiver otimizando a entrega do melhor tempo e experiência aos consumidores será, por consequência, a escolha do melhor tempo e fará negócios.

Assim como nossos antecessores, a busca de nossa sociedade hoje é por tornar o tempo melhor utilizado, tendo hoje a tecnologia como principal aliada para alcançar esse objetivo, mas com uma grande mudança: a constante agora é o consumidor, e as empresas, passam a ser a variável desta equação. Quem conseguir atender a constante com o maior valor na variável, sem dúvida, será o protagonista deste mercado, junto com o consumidor.

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